quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Rebelião em presídio de Pernambuco causa três mortes

Três pessoas morreram em dois dias de rebelião no Complexo Prisional do Curado, no Recife. No caso mais chocante, Mario Antônio da Silva, de 52 anos, foi decapitado por outros detentos. Na segunda-feira, o primeiro-sargento da Polícia Militar, Carlos Silveira do Carmo, 44, e o detento Edvaldo Barros da Silva Filho, 34, foram mortos baleados. Outros 29 presos se feriram.

Segundo o secretário de Justiça de Pernambuco, Pedro Eurico, os presidiários reivindicam mais rapidez nas decisões judiciais, melhor tratamento às famílias em dias de visita e melhorias nas condições de habitação. Os aprisionados também pedem a substituição do juiz Luiz Rocha, titular da 1ª Vara de Execuções Penais da Capital. Eles argumentam que alguns presos já poderiam estar em regime semiaberto, mas os processos demoram.

Segundo o secretário, uma comissão de detidos seria recebida pelo magistrado. O protesto começou pacífico na segunda-feira, porém se tornou violento à tarde, quando houve as duas mortes. A PM foi chamada e, segundo o secretário de Justiça, permaneceu no local até as 23 horas.

No dia seguinte, porém, os amotinados iniciaram um novo protesto: “Quando houve a decapitação, a PM resolveu entrar novamente para garantir a segurança”, afirmou o secretário.

Em nota, a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) lamentou as mortes. Declarou que o Estado anunciou neste mês medidas para desafogar o sistema prisional, como a entrega de três novos presídios e a ampliação de outros dois, incluindo o do Curado. Atualmente, o Estado contabiliza 12 mil vagas para 32 mil presos.
 
Ilha de Itamaracá
Também ontem, outra rebelião ocorreu na Penitenciária Professor Barreto Campelo, na ilha de Itamaracá, na Região Metropolitana do Recife. A situação já foi pacificada, de acordo com a Seres. As reivindicações foram as mesmas dos presos do Curado.

“Essas rebeliões geram um efeito cascata. É necessário ter um efetivo maior (de agentes penitenciários) pra fazer as contenções dentro dos presídios”, afirmou o presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário de Pernambuco (Sindasp-PE), João Carvalho.

Segundo ele, Pernambuco precisa de 4.700 agentes para atingir a proporção considerada ideal, de um profissional para cada cinco presos. (da agência Folhapress)
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