terça-feira, 20 de janeiro de 2015

NOTÍCIA NO JORNAL DO COMÉRCIO

CRIME

Promotor diz que facções criminosas articulam rebeliões nos presídios de Pernambuco

Marcellus Ugiette percebeu comunicação entre os presos da Barreto Campelo, em Itamaracá, e do Complexo Penitenciário do Curado, no Recife


Promotor Marcellus Ugiette passou toda a tarde e parte da noite desta terça-feira (20) negociando com detentos da Barreto Campelo / Foto: Sérgio Bernardo/ JC Imagem

Promotor Marcellus Ugiette passou toda a tarde e parte da noite desta terça-feira (20) negociando com detentos da Barreto Campelo

Foto: Sérgio Bernardo/ JC Imagem

Depois de passar a tarde e parte da noite desta terça-feira (20) dentro da Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, no Grande Recife, o promotor Marcellus Ugiette disse ter percebido a comunicação entre os presos da instituição e do Complexo Penitenciário do Curado, onde os detentos iniciaram uma rebelião na segunda-feira (19). Para ele, as reivindicações por mais rapidez da Justiça para analisar os casos não é a principal motivação para os motins, que seriam, na verdade, operados por organizações criminosas com atuação dentro e fora dos presídios.

"Muitos presos disseram que não queriam continuar com a rebelião, mas alguns grupos não quiseram nem iniciar o diálogo. Na realidade, percebemos que há uma atuação forte do PCC ou de outros grupos que têm contato com os detentos do Curado e também de outras penitenciárias e querem promover esse tipo de ação", avalia a promotor.

Segundo Marcellus, a maior parte dos presos dos pavilhões B e C - onde houve confronto com o Batalhão de Choque - estava perceptivelmente sob o efeito de drogas. "Eles são chamados de 'robôs', são orientados por essas facções criminosas e recebem armas e drogas. Eles ficaram ainda mais irritados quando viram que conseguimos entrar em acordo com os outros pavilhões. O que eles queriam era o confronto", ressalta.

Na avaliação do promotor, a situação chegou ao descontrole pela falta de agentes penitenciários. "A superlotação é sim um problema, mas as coisas tomaram essa proporção pela ausência do Estado dentro da instituição. Hoje (terça-feira), a situação foi contornada porque temos o reforço da Polícia Militar, mas diariamente o Estado é ausente", diz Marcellus.

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