armas em presídio

Governo de Pernambuco não garante segurança para a sociedade, diz sindicato dos agentes penitenciários

PUBLICADO EM 07/01/2015 ÀS 12:16 POR  EM NOTÍCIAS
Transmissão de cargo de João Lyra para Paulo Câmara. Foto: Amanda Miranda/BlogImagem.
Transmissão de cargo de João Lyra para Paulo Câmara. Foto: Amanda Miranda/BlogImagem.
Em nota divulgada na manhã desta quarta-feira (7), o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Pernambuco (Sindasp-PE) fez duras críticas ao Governo do Pernambuco e diz que o Estado não garante a segurança da sociedade.
As críticas acontecem após reportagem da Rede Globo flagrar a presença de armas e celulares com detentos do Complexo Prisional do Curado, o maior do Estado. A reportagem levou a renúncia do secretário-executivo de Ressocialização, Humberto Inojosa. Ele também é criticado pelo Sindasp-PE.
“Temos o dever de relatar que o Estado não vem cumprindo com o seu papel que é assegurar a ordem pública e garantir a segurança para a sociedade”, afirma o sindicato. “O sistema carcerário de Pernambuco está a beira do caos e os agentes penitenciários, também, são vítimas dele”, diz a nota.
De acordo com o sindicato, existe hoje uma média de 25 presos para cada agente nas unidades prisionais de Pernambuco. A resolução do Conselho Nacional de Política Criminal Penitenciária (CNPCP) estabelece o número de cinco presos para cada agente.
No presídio Frei Damião Bozanno, onde foi feito o flagrante, trabalham em média quatro agentes por plantão, afirma o sindicato.
“Estes, não raro encontram-se sozinhos e confinados na permanência (segurança), sem poder fazer o combate preventivo de fiscalização e rondas em pavilhões por falta do efetivo necessário que deveria ser de aproximadamente 150 agentes na unidade”, afirma o texto.
O Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário do Estado de Pernambuco (Sindasp-PE) lamenta os fatos ocorridos no Presídio Frei Damião de Bozanno. Apesar do ocorrido, temos o dever de relatar que o Estado não vem cumprindo com o seu papel que é assegurar a ordem pública e garantir a segurança para a sociedade.
Relatamos que o Estado de Pernambuco vem descumprindo o básico em suas obrigações, que é dar condições laborais aos Agentes Penitenciários, que sofrem deficiências claras em seu trabalho por falta de efetivo. A quantidade de agentes nas unidades prisionais de Pernambuco pode ser considerada como um verdadeiro apagão. Hoje temos uma média de 25 presos para um agente nas unidade prisionais de Pernambuco. Este número desobedece Resolução do Conselho Nacional de Política Criminal Penitenciária (CNPCP) que estabelece o número de cinco presos para cada agente penitenciário.
No Presídio Frei Damião de Bozanno encontram-se uma média de quatro agentes por plantão. Estes, não raro encontram-se sozinhos e confinados na permanência (segurança), sem poder fazer o combate preventivo de fiscalização e rondas em pavilhões por falta do efetivo necessário que deveria ser de aproximadamente 150 agentes na unidade.
A necessidade do aumento de efetivo é preponderante para garantir a ordem dentro das prisões, pois os agentes penitenciários realizam serviços de escolta, monitoramento externo, fiscalização, custódia, vigilância, revistas e inteligência.
O Estado também não assegura a segurança externa (guaritas) realizada pela Polícia Militar. Estimamos que 60% dessas guaritas estão desativadas. Infelizmente, esta omissão faz com que os ilícitos (armas, drogas etc.) entrem pelos muros das unidades.
Rechaçamos a afirmação do secretário de Ressocialização de Pernambuco, Humberto Inojosa, que afirmou recentemente em entrevista a veículo televisivo que o Estado dispõe de equipamentos de revista eletrônica nas unidades. O Estado não coloca a disposição dos agentes penitenciários os equipamentos eletrônicos necessários para revista pessoal, como scanner corporal, máquina de Raio X, descumprindo a resolução do CNPCP nº 05/2014 .
Informamos que as máquinas de Raio X para revistas em objetos e alimentos estão quebradas, bem como os detectores de metais em sua maioria estão danificados ou quebrados.
A falta de condições de trabalho chega ao extremo com equipamentos de segurança vencidos (coletes), falta de capacetes , falta de munições não letais e letais, bem como falta de manutenção nas armas (com a falta de material para o serviço).
Apesar de toda essa precariedade, em atos heróicos, os Agentes Penitenciários vêm, permanentemente, fazendo apreensões de armas, drogas e celulares.
O sistema carcerário de Pernambuco está a beira do caos e os agentes penitenciários, também, são vítimas dele.
Recife, 07 de janeiro de 2015
João Batista de Carvalho Filho
Presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Pernambuco (Sindasp-PE)